Normalmente acordamos algumas vezes durante a noite, seja para irmos ao banheiro, para beber água, por conta de um mosquito ou de um carro mais barulhento que corta o silêncio da madrugada. Mas, às vezes dormimos tão profundamente que só percebemos ao acordarmos pela manhã. E muitas vezes, ao invés de estarmos descansados pela profunda noite de sono, nos sentimos cansados, exaustos, algumas vezes com dores de cabeça, sem lembrar de nenhum sonho, ou se lembra, é algo difuso, difícil de ser entendido ou fazer sentido. Claro que muitos sonhos não fazem sentido. Mas os que menciono, são aqueles dos quais você lembra de ter tido contato com alguém que você nem conhece. Pois você pode ter vivenciado um trabalho além do seu corpo. Vou tentar explicar. Nosso espírito, quando encarnado, vibra dentro da capacidade de nosso corpo de reverberar ondas e receber assim como rádios transmissores e receptores. Muitas vezes quando dormimos, nosso espírito se desprende de nosso corpo e volta a vibrar na frequência espiritual e que nos faz voltarmos ao nosso estado inicial, o espírito, com todos os poderes que aprendemos e conquistamos quando estamos do outro lado. E alguns tem poderes de cura, outros de intuição, outros de encaminhamento, dentre vários tipos de competências que nos são dadas no plano espiritual. Ao sairmos de nosso corpo durante o sono, podemos ser chamados a realizar algum trabalho importante. E temos que atender a estes chamados. Eu mesmo lembro de dois eventos muito sérios que me deixaram transtornado por muitos anos até que eu pudesse compreender o que havia acontecido. E este trabalho espiritual muitas vezes requer demais de nossa energia, o que faz com que, ao acordarmos, nos sintamos cansados, esgotados. Portanto, não pense que você dormiu mal. Certamente você foi chamado para ajudar em alguma atividade. Claro está que se você é uma pessoa boa, com um espírito elevado e que tem valores morais, éticos, e que respeita o próximo e busca melhorar como pessoa a cada dia, será chamado para ajudar a espíritos e até a Anjos da Guarda que se utilizarão de sua poderosa vibração para dar conforto aos que precisam, sejam encarnados ou não. Agora, se você age de má fé, não respeita o próximo, não é ético, não busca o conhecimento que eleve seu espírito e se cerca de seres humanos que vibram negativamente, também será chamado. Mas não será por seres elevados. Será chamado por aqueles espíritos maus, de vibração negativa, que estão ao serviço da legião que busca o desequilíbrio, a discórdia, as doenças e a cizania. E esteja certo de que, quando você morrer, será levado por eles para engrossar esta legião de espíritos involuídos que creem ser os poderosos no caminho inverso ao que Deus nos criou. Já os de boa índole, ah, para estes o caminho será lindo e cheio de crescimento, conhecimento e evolução. Agora, antes de dormir, pense nestas palavras e vá sem medo, se entregar ao chamado. Mas antes, tente vibrar positivamente, fazendo do amor, da caridade, da humildade, da ética, do respeito e da compaixão, o alimento de seu espírito para que possa ser um soldado que irá manter a ordem espiritual e a evolução do universo.
Paul Richard Ugo.
“Às vezes creio que personifico o inconsciente obscuro da raça humana. Sei que soa mal porém me encanta...” Vincent Price
domingo, 24 de maio de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
COISAS DE VIVER.
Durante
toda a semana, anseio pela chegada do domingo. Trabalhar de segunda à sábado é
cansativo. Só quem trabalha com este tipo de jornada, sabe do que estou
falando. Enfim, ele chega! O domingo. E o sol vem com força, festejar este tão
esperado dia. Descanso? Não! Dar banho nos cachorros, cortar a grama, lavar o
carro, consertar o chuveiro, ajudar com a louça, arrumar o quarto de guardados,
o famoso “quartinho”, e jogar fora tudo o que não serve mais. Não reparamos,
mas fico surpreso de como guardamos coisas inúteis! Na verdade, esta última
tarefa, a de arrumar o “quartinho” é a mais árdua. Você sempre acha que aquele
pedaço de arame enferrujado, o ventilador quebrado, o rolo de pintura sujo, a
lata de tinta com um “restinho”, dentre centenas de coisas velhas, vão servir
para alguma coisa. Mas, impiedosamente recolho tudo fazendo a seguinte
pergunta: _Quando foi a última vez que precisei usar estas coisas? Se mais de
seis meses ou eu não lembro quando, o caminho é a lixeira. Assim foram, neste
domingo de descanso, computadores queimados, caixas de som furadas, fios,
lustres quebrados, televisores pifados, revistas velhas, livros de receitas,
ventiladores sem pás, enfim, muita sucata, algumas até possíveis de serem
recuperadas mas substituídas pela mágica da obsolescência que nos traz sempre
novidades tecnológicas. Mas, uma coisa eu achei no fundo de um armário, coberto
por uma fina camada de poeira e mofo: a minha caixa de recordações.
Imediatamente, ao ver a caixa, lembrei-me de um grande amigo que, ironicamente
não está presente dentro das recordações da caixa, mas que me ensinou muitas
coisas sobre a vida, inclusive a importância de termos uma caixa (e ele tem a
dele) com nossas “coisas de viver”. Ele fala sempre sobre um poema de Horacio
Ferrer, musicado por Astor Piazzolla, ambos seus patrícios portenhos (a bem da verdade, Horacio era uruguaio e Astor nasceu em Mar del Plata. Mas ambos morreram em Buenos Aires), a “Balada
para mi muerte”. Num trecho do belíssimo tango, pode-se ouvir o trecho:
“Moriré em Buenos Aires, será de madrugada,
Guardaré mansamente las cosas de vivir,
Mi pequeña poesia de adioses y de balas,
Mi tabaco, mi tango, mi puñado de esplín,
Me pondré por los hombros, de abrigo, toda
el alba,
Mi penúltimo whisky, quedará sin beber!”
Peguei
a caixa e, dentro dela, encontrei tesouros daqueles que valem mais do que
qualquer coisa material. Cada pedaço amarelado de papel, cada desenho, cada
postal carta ou bilhete, que, na verdade não valem nada em sua materialidade,
trazem a força mágica de nos transportar aos momentos felizes que vivemos no
passado. A reencontrarmos a energia de pessoas que compartilharam momentos de
nossa história de vida, num verdadeiro túnel do tempo. Nossas coisas de viver
são incapazes de nos trazer de volta o tempo passado. Mas são capazes, com sua
enorme força, de levar nossos espíritos a revisitar momentos felizes. Mais do
que simples fotos, estes pedaços de papel surrados pelo tempo, rotos pelas
traças, manchados pelo mofo, são a materialização das emoções que tivemos.
Ao
colecionar estas preciosidades ainda jovem, imaginei que valeriam muito para
mim. Agora, do alto de minha idade, fico feliz por ter preservado este tesouro.
Podem, uns e outros, perguntarem o que isso importa na vida prática. Para estes
eu respondo que as coisas de viver servem para que eu descubra quem fui e quem
sou hoje. Servem para eu descobrir porque sou quem sou. Servem para que nunca
esqueça das pessoas, mesmo as que não estão dentro da caixa, que forjaram minha
vida com o que elas tinham de mais puro em suas almas. Para quem não tem sua
caixa de “coisas de viver”, sempre há tempo. Ela é a materialização de nosso
espírito enquanto ainda estamos por aqui. É a nossa arca da aliança com a vida.
Paul
Richard Ugo.
AINDA É TEMPO DE MUDAR PARA MELHOR
Quanto tempo faz que você não ouve uma sinfonia clássica?
Quando foi a última vez que visitou um museu para ver obras de arte? E livros?
Quantos você leu no último ano? Teatro? Quantas peças assistiu? As respostas
poderão ser inúmeras. Desde “não gosto de música clássica”, até “não tenho
tempo para ler”. As artes não existem por acaso. Elas são a expressão máxima do
intelecto humano, que exacerbam a realidade transmitindo ao espectador, alguma
emoção. Ao termos contato com a arte, deixamos que nossas emoções provoquem um
florescer de sentimentos que dão polimento à rudeza de nossas almas. Se não
fossem tão importantes, não seriam cultuadas, disputadas e apreciadas como são.
Em 2013, um quadro de Van Gogh, o Pôr do Sol em Montmajour foi descoberto pelo
Museu que leva o mesmo nome do autor da obra. Toda a imprensa mundial deu
destaque à descoberta e o museu estimou receber mais de um milhão e duzentas
mil pessoas para vê-lo no ano seguinte. As
orquestras sinfônicas se esmeram cada vez mais nas produções de clássicos e
óperas, o cinema de arte está em evidência, as artes agora saem dos museus e
vão para as calçadas e para as comunidades. Emissoras de TV dedicam programação
exclusivamente sobre arte nos canais pagos. As produções teatrais buscam mais
tecnologias para impressionarem seus públicos e textos clássicos e do teatro
grego são adaptados para a linguagem atual. Você tem acompanhado tudo isso? Se
não, é bom começar. A arte tem a capacidade de mudar as pessoas tornando-as
mais sensíveis, mais críticas e com maior capacidade de discernimento do que é
bom e do que é ruim. A arte nos leva aos caminhos da busca pela harmonia, pelo
convívio, pela generosidade, pelo respeito e pela educação. É como se fosse um
condutor que nos leva a uma vida melhor, com mais qualidade. Mas, enquanto
fecharmos os nossos olhos para as artes, nos permitindo absorver somente o que
se produz de pior a nossa volta, de simples digestão e vazio de conteúdo
construtivo, vamos continuar em uma espiral de degradação da nossa sociedade,
continuar a eleger os piores para nos governar, vamos ser coniventes com a
falta de civilidade, a falta de respeito, a agressão, a transgressão das leis e
a violência. Basta comparar a quantidade de museus e os milhões que os
freqüentam no chamado Primeiro Mundo. Serão Primeiro Mundo por acaso? Acho que
não. Estamos nos desenvolvendo como cidadãos que sabem conviver numa sociedade
organizada? Também acho que não. Mas acredito na transformação do ser humano
pela arte e, consequentemente, pela educação. E esta transformação pode começar
por cada um de nós. Basta nos entregarmos às artes, ao conhecimento, à cultura
e à educação. Sem preconceitos, sem achar que isso é coisa de gente soberba ou
que se acha superior. E se você chegou até o final de meu texto, fico feliz.
Você é capaz de mudar. Agora, corra e compre um bom livro, visite um museu e
tente, pelo menos tente, ouvir uma sinfonia clássica. Você só tem a ganhar.
Paul Richard Ugo.
domingo, 29 de março de 2015
Alma, alma, alma
Alma, alma, alma. O que somos sem nossas cascas. Alma, alma, alma. O éter que vaga pelas noites em busca de respostas. Alma, alma, alma. O que nos faz verter lágrimas quando a emoção nos atinge. Alma, alma, alma. Que nos dá a sensação do medo, da alegria, da tristeza. Alma, alma, alma. O que nos move em busca do que não conhecemos, levando-nos ao final cheios de pesados fardos para os quais não sabemos para que se prestam. Alma, alma, alma. Nos traz a dignidade e a vergonha. Nos dá a razão e a inconsistência. Alma, alma, alma, para que se alimenta de dores? Para que se alimenta de efêmeros prazeres? Para que experimenta diversos sentimentos? Alma, alma, alma, para que trazes para si outras almas que se encantam contigo, se decepcionam contigo, se apaixonam por ti e se desesperam por ti? Alma, alma, alma, para onde vai quando a carne se esvai na putrefata morte? Qual caminho segues com tudo aquilo que viveu? Alma, alma, alma, me responda antes que tome conta de mim e me carregue contigo pelas sendas do mistério. Alma, alma, alma, será que você volta? Será que não morre com meu corpo? Alma, alma, alma, que me pegou infante ainda no ventre e me carrega até hoje. Alma, alma, alma, que outras vidas viveu, que outros planetas percorreu. Alma, alma, alma. Será eterna? Quando será seu fim? Quando foi seu começo? Alma, alma, alma... será uma mentira? Uma invenção de conexões químicas do cérebro? Alma, alma, alma, me leve contigo em tua fantástica viagem pela eternidade, conhecendo o universo e a razão de tudo.
Olho no Olho
Olho o olho que me olha no espelho. O meu olho. Tento ver
dentro dele aquilo que não vejo sem vê-lo no espelho. Não consigo achar nada no
olhar nem dentro do olho. Mas ele me olha e acho que vê mais do que vejo. Ele,
aquele que vejo no espelho, vê aquilo que os outros veem e que eu não consigo
ver. Mas, o que me importa? Tentar descobrir algo dentro daquele olho ou deixar
que o olhar que agora me olha não me diga nada além daquilo que nunca
descobrirei?
domingo, 15 de março de 2015
Pensamento.
Acho que o que acho, nunca ninguém achará. Às vezes acho que o que acham do que eu acho, já foi achado. Mas, acho que não.
Paul Richard Ugo.
Paul Richard Ugo.
segunda-feira, 2 de março de 2015
LAST DANCE
Acordei com o gosto amargo do Bourbon ainda presente na
saliva encorpada, tentando com apenas um dos olhos entreabertos, ver por entre
as grossas cortinas, se o sol já começou a subir no horizonte. Não. Ainda era
noite. As velas do candelabro ainda acesas, deram seus estalidos finais. O silêncio
do frio e da neve gelaram meus ossos. Impossível levantar. A cabeça pesava mais
que o planeta e o pequeno quarto girava em seu eixo. A cefaleia lancinante
chegava a adormecer minhas têmporas. Virei de lado e encarei os lindos olhos
verdes arregalados na minha direção. Observei que estavam um pouco embaçados,
frios e vazios. Quem seria esta mulher deitada ao meu lado? Jovem de pele clara,
percebi um filete de sangue ressecado sobre sua testa. A boca de lábios tenros
que se mostravam azulados, estava aberta como que querendo soltar uma palavra.
Com dificuldade, percebi seu corpo coberto por um lindo vestido de noite. Em
seu pescoço longo, percebi marcas arroxeadas. Senti arder o meu rosto e ao
tocá-lo encontrei com o tato de meus frios dedos, profundos arranhões que agora
ardiam como brasa. Tentei me sentar na cama, sem entender o que aconteceu e vi
garrafas quebradas pelo chão. Por entre os cacos, um pedaço de papel me chamou
a atenção. Abaixei para apanhá-lo e caí sobre os cacos, desequilibrado pela
tonteira. Mesmo sofrendo alguns cortes, me esforcei para levantar e tentar ler,
ao mesmo tempo que tentei conferir se estava realmente no quarto de minha casa.
Segurei numa das gavetas da cômoda e me apoiei para ficar de pé. A mão puxou o
pano brocado que decorava a cômoda que fazendo o candelabro cair com sua cera
quente sobre o meu rosto. O fogo se espalhou rápido por entre os cacos das
garrafas de Bourbon que ainda ensopavam os tapetes aos pés da cama. Com a luz
do fogo alto, pude ler o papel que agora se punha em chamas: Reisenweber’s Café
– Columbus Circle, 58th Street and 8th Avenue, Manhattan. Antes que a fumaça me
envolvesse totalmente até a morte, lembrei de Dora, a dançarina. Sim, era ela a
quem tanto desejei. Por que matei-a? Antes da resposta, a morte me alcançou.
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